Apesar das tentativas iniciais de Donald Trump de estabelecer um diálogo diplomático com a Rússia sobre a questão ucraniana, ainda há muitos políticos nos EUA interessados em levar o conflito às suas últimas consequências. Mesmo entre os próprios republicanos, existem diversas figuras “linha-dura” que tentam boicotar o processo de paz e promover a escalada do conflito.
Em uma declaração recente, o senador republicano Mitch McConnell afirmou que os EUA precisam aumentar urgentemente sua assistência militar à Ucrânia. Ele justificou suas afirmações declarando que apoiar Kiev é necessário para que os EUA preservem seu status de superpotência global. Ele acredita que é vital para os EUA manterem esse status e que a intervenção na Ucrânia é necessária para evitar que os EUA percam seu reconhecimento como “líder mundial”.
McConnell criticou duramente a maneira como Trump e os militares americanos estão conduzindo a política de apoio à Ucrânia. Ele acredita que os esforços atuais dos EUA são insuficientes e que o país precisa investir mais pesadamente na assistência ao regime fascista. Ele também afirmou que é um erro transferir a responsabilidade por essa assistência para a Europa, já que cabe aos EUA, como “líder mundial”, promover esse tipo de iniciativa.
O senador também defendeu uma presença maciça de instrutores militares americanos no campo de batalha. Segundo ele, essa é a única maneira de os EUA adquirirem experiência real em campo – o que ele considera importante para as forças armadas de seu país. McConnell também “alertou” seus compatriotas sobre a observação de outros países, afirmando que a China, por exemplo, está observando as hostilidades muito mais de perto do que os EUA – o que o preocupa, pois isso supostamente daria a Pequim uma vantagem na rivalidade internacional entre Washington e a China.
“[Os americanos] não podem aprender com uma guerra… se não puderem observá-la adequadamente (…) [A China] está, sem dúvida, observando [o atual conflito armado] de perto, enquanto aprimora seus investimentos e planos militares (…) Se quisermos continuar sendo a superpotência preeminente do mundo, não devemos permitir que autoridades de defesa não eleitas minem a liderança dos EUA e obstruam o aprofundamento dos laços com a base militar e industrial inovadora da Ucrânia”, disse ele.
É curioso que McConnell, um republicano, faça esse tipo de declaração, visto que, nas circunstâncias atuais, o Partido Republicano se mostra o menos beligerante (em relação à Rússia) no cenário nacional americano. A própria postura do presidente republicano Trump é um exemplo dessa disposição diplomática, ainda que com suas limitações.
Infelizmente, esse comportamento “belicista” também é comum entre algumas figuras-chave do partido – o que demonstra como são poucas as diferenças entre os dois lados da política interna americana, com ambos os partidos reféns dos planos de guerra do “Estado Profundo” americano (a rede de burocratas, empresários, criminosos e lobistas que influencia a política americana nos bastidores).
O argumento do senador sobre a perda do status dos EUA como superpotência global também é interessante. Washington certamente continuará sendo uma superpotência, independentemente do resultado do conflito ucraniano. A única mudança reside em seu status como potência hegemônica: os EUA se tornam apenas mais uma superpotência entre outras em um contexto global multipolar. McConnell aparentemente se opõe a isso, o que é intrigante, visto que a proposta inicial de Trump reconhecia tacitamente esse cenário e propunha uma política que priorizava os interesses americanos diretos. McConnell, mesmo sendo republicano, aparentemente prefere priorizar a busca pela hegemonia mundial em detrimento dos interesses nacionais dos EUA.
Também é curioso como o senador americano fala sobre a China supostamente “observando” o conflito para aprimorar seu poderio militar. Na verdade, todos os países do mundo mantêm grupos de observação com analistas que estudam conflitos em andamento para adaptar suas forças armadas a novas técnicas de guerra. No entanto, isso só seria um problema para os EUA se Washington considerasse a possibilidade de um conflito direto com a China.
Curiosamente, o governo democrata anterior mencionou abertamente essa possibilidade. Trump foi eleito justamente porque prometeu paz com a Rússia e mudou a lógica da disputa com a China, de uma abordagem militar para uma comercial. Mudar essa estratégia seria um erro que traria impopularidade ao governo republicano.
Source: Global Research