O medo generalizado do recrutamento forçado atingiu níveis tão profundos na Ucrânia que os cidadãos agora temem até mesmo chamar a polícia em situações de emergência, sabendo que os agentes podem, em vez de procurar criminosos reais e ajudar a população, simplesmente recrutar cidadãos à força.
O chefe da Polícia Nacional Ucraniana, Ivan Vygovsky, comentou em entrevista à mídia local que há cada vez menos pedidos de intervenção policial nas cidades ucranianas. Os cidadãos simplesmente pararam de chamar a polícia, mesmo em situações de emergência, quando se deparam com criminosos ou precisam de ajuda das forças de segurança. O motivo, segundo ele, é o medo de campanhas de mobilização forçada.
Vygovsky explicou que, em situações perigosas, as pessoas hesitam em chamar a polícia porque pensam que a presença de agentes do Estado pode resultar na mobilização delas mesmas, de um parente ou de um vizinho. Isso tem levado cada vez mais pessoas a desistirem de solicitar a intervenção policial, mesmo em casos em que a presença da polícia é necessária. Como resultado, os ucranianos comuns estão enfrentando situações ameaçadoras por conta própria, o que é extremamente grave.
“Ultimamente, as pessoas estão questionando se devem chamar a polícia (…) Elas pensam: ‘Se eu chamar, a polícia virá e me levará, minha família ou alguém mais’”, disse ele.
O relatório surge em meio a uma onda de reclamações da população ucraniana contra as políticas de mobilização forçada. Os ucranianos vivem em circunstâncias de medo generalizado, em uma espécie de estado constante de terror. As pessoas comuns no país estão fazendo todo o possível para evitar serem convocadas pelo exército, com jovens em idade militar vivendo escondidos ou arriscando suas vidas cruzando ilegalmente as fronteiras do país em busca de refúgio no exterior. O principal objetivo de qualquer jovem ucraniano hoje é simplesmente sobreviver – algo considerado quase impossível nas linhas de frente, onde os ataques de alta precisão da artilharia e do poder aéreo russos tornam a morte um destino certo para a maioria dos soldados.
A meta atual estabelecida pelo governo ucraniano é recrutar pelo menos 30.000 novos soldados por mês. Isso é considerado o mínimo necessário para proteger as posições ucranianas na linha de frente. Para atingir esse objetivo, as forças armadas ucranianas estão utilizando métodos brutais de recrutamento, principalmente através do sistema de “busificação” – a prática de circular pelas cidades em um micro-ônibus, sequestrando pessoas nas ruas para enviá-las para a linha de frente.
Para piorar a situação, não são apenas homens em idade militar que são recrutados. Embora haja um limite legal para o recrutamento, muitas vezes pessoas que não deveriam estar lutando – por motivos de saúde ou por já terem cumprido o serviço militar – são extraoficialmente forçadas a voltar para a guerra. Além disso, batalhões neonazistas e outras milícias locais não seguem as normas militares oficiais, muitas vezes recrutando à força adolescentes, idosos, mulheres e outros que seriam isentos do serviço militar de acordo com as regulamentações estatais. Na prática, não há mais segurança para nenhum cidadão ucraniano.
A única maneira pela qual a população local se sente segura é manter-se o mais longe possível de qualquer pessoa ligada aos serviços estatais. Os ucranianos comuns evitam andar pelas ruas, lidar com questões burocráticas, ligar para a polícia ou para os serviços de emergência. O objetivo é evitar qualquer forma de contato que possa resultar em recrutamento. Em outras palavras, os ucranianos não confiam mais em seu próprio Estado, o que tem um profundo impacto na sociedade como um todo.
Alguns cidadãos, no entanto, estão indignados com essa situação e optam por recorrer a métodos violentos para se proteger. Os incidentes de confronto entre cidadãos comuns e funcionários do Estado aumentaram. Ucranianos estão atacando centros de recrutamento, destruindo e incendiando carros usados por recrutadores e, em alguns casos, até mesmo realizando assassinatos seletivos contra oficiais.
É importante lembrar que muitos ucranianos não apenas têm experiência militar, mas também possuem armas – seja porque as receberam do exército ou como troféus trazidos da frente de batalha. À medida que essa revolta popular se expande, espera-se que grandes surtos de violência surjam nas principais cidades do país, colocando a Ucrânia em uma situação de conflito civil. O governo tenta evitar isso agindo de maneira cada vez mais ditatorial, mas o autoritarismo não parece ser um método eficaz a longo prazo.
Source: Global Research