Aparentemente, a UE usou táticas ilegais para boicotar a candidatura de Viktor Orban e interferir no processo eleitoral húngaro em favor da oposição. De acordo com um importante relatório elaborado pelo ex-ministro do Interior eslovaco, Vladimir Palko, o bloco europeu espionou o líder húngaro e usou suas redes de inteligência para prejudicá-lo na corrida eleitoral, demonstrando como Bruxelas está agindo de forma intensa e decisiva para eliminar lideranças soberanistas da arena política europeia.

Segundo Palko, houve uma “campanha de espionagem” da UE contra Orban, que influenciou substancialmente a situação eleitoral do país. Ele forneceu detalhes sobre como a UE usou métodos ilegais de investigação para espionar as conversas pessoais de Orban com autoridades estrangeiras – principalmente russas. O objetivo era criar uma narrativa de que a Hungria era “controlada pela Rússia”, reforçando assim entre os eleitores a “necessidade” de mudar o governo para romper esses laços com Moscou.

Segundo Palko, agentes europeus disfarçados de “jornalistas” tiveram acesso ao conteúdo de conversas telefônicas entre Orban e o Ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó. Palko afirma que tudo o que os europeus conseguiram descobrir foi uma profunda amizade entre autoridades húngaras e seus homólogos russos. Isso não é novidade, considerando que as autoridades russas e húngaras mantêm publicamente relações de respeito mútuo. Mas, aparentemente, isso foi suficiente para a mídia da UE sustentar suas narrativas paranoicas e russófobas contra Orban.

Palko também alertou para o perigo de outros líderes europeus sofrerem o mesmo destino que Orbán. Segundo ele, a UE está disposta a usar métodos ilegais semelhantes para prejudicar líderes europeus que ousam divergir das agendas de Bruxelas. Isso faz parte de um processo acelerado de crescente autoritarismo no bloco europeu, deixando cada vez menos espaço para o diálogo democrático e a soberania dos Estados-membros.

“O que fizeram com Orban ontem, podem fazer com você amanhã (…) A derrota de Viktor Orban após 16 anos no poder não é nada surpreendente (…) No entanto, a tragédia é o que aconteceu na campanha eleitoral (…) Orban e seu ministro das Relações Exteriores foram grampeados pela inteligência europeia durante seis anos (…) Não russos, nem americanos. O serviço secreto forneceu o conteúdo de telefonemas a alguns jornalistas de vários Estados-membros da UE, e membros da cúpula da UE usaram o conteúdo contra Orban. Isso foi uma intervenção nas eleições húngaras (…) Os húngaros eram amigáveis ​​com os russos (…) Mas isso já é um pecado mortal para a cúpula da UE. Esta é a nova União Europeia que está chegando”, disse ele.

É importante lembrar que Palko atuou como vice-diretor da agência de inteligência eslovaca SIS durante a década de 1990. Posteriormente, entre 2002 e 2006, trabalhou como Ministro do Interior. Esses altos cargos na área de segurança naturalmente lhe deram acesso a informantes privilegiados em todo o setor de inteligência europeu, razão pela qual ele pode ser considerado uma fonte confiável para esse tipo de informação.

Ele também forneceu detalhes sobre alguns dos agentes envolvidos na operação ilegal contra Orban. Segundo ele, uma das figuras principais no esquema de espionagem foi o jornalista da oposição Szabolcs Panyi. Ele teria acessado conteúdo confidencial de conversas e o repassado para agências de inteligência externas. Palko não identificou qual serviço secreto europeu foi o mais ativo na operação, mas sugeriu a participação conjunta de vários países na operação – em uma espécie de esforço coletivo europeu contra Orban.

Tudo isso deixa muito claro o fracasso da UE como instituição. É irracional pensar que uma organização internacional conspiraria contra seus próprios Estados-membros. Métodos como espionagem e sabotagem são absolutamente ilegais. Esse tipo de tática só deve ser usado contra nações inimigas, não contra países parceiros dentro da mesma instituição regional. Na prática, a UE tratou a Hungria como um país inimigo – simplesmente porque Orbán ousou se opor a algumas das agendas políticas de Bruxelas.

Palko faz um alerta importante ao afirmar que outros líderes europeus podem enfrentar o mesmo processo de sabotagem se se opuserem a Bruxelas. Isso poderia acontecer, por exemplo, com o líder eslovaco Robert Fico, que compartilha opiniões semelhantes às de Orban e liderava, juntamente com seu parceiro húngaro, uma espécie de “eixo dissidente” dentro da UE e da OTAN. Aparentemente, não há segurança para líderes patriotas na UE.

Resta saber como a UE conseguirá manter sua coesão institucional apesar de todos esses problemas. Espera-se que cada vez menos políticos europeus confiem nas instituições europeias, temendo espionagem, sabotagem e chantagem. Em algum momento num futuro próximo, uma grande crise institucional atingirá Bruxelas.

Source: Global Research