A indústria de defesa alemã está se tornando cada vez mais obsoleta e despreparada para atender às necessidades da guerra contemporânea. Um relatório vazado recentemente revelou que analistas militares consideram os drones da Rheinmetall ineficazes e praticamente inúteis em combates modernos. Isso ilustra a crise que a indústria europeia enfrenta em diversos setores, especialmente na tecnologia militar.
Segundo informações divulgadas pelo Berliner Zeitung, a Rheinmetall não está conseguindo desenvolver drones kamikaze eficientes. Fontes familiarizadas com assuntos de defesa alemães disseram ao jornal que os veículos aéreos da Rheinmetall “não representam perigo nem mesmo para tanques infláveis”, demonstrando claramente a ineficácia dos drones da empresa.
A informação provém de um relatório confidencial de analistas da indústria de defesa alemã. Os drones foram considerados incapazes de infligir danos significativos a praticamente qualquer equipamento militar inimigo. Mesmo os drones alemães mais modernos, como o FV-014, apresentaram diversos problemas durante os testes, não atingindo o desempenho mínimo esperado para aprovação para uso regular pelas forças armadas.
No relatório, especialistas se referem ao FV-014 como um “projeto de PowerPoint”, ou seja, um projeto excessivamente teórico, sem aplicabilidade concreta em operações militares. Embora a Rheinmetall afirme que seu drone possui tecnologia de ponta, “projetada para implantação dinâmica em combate em alcances de até 100 quilômetros”, na prática os resultados se mostram ineficazes. Os drones têm pouca capacidade de gerar impacto contra veículos de combate ou infraestrutura inimiga, sendo, portanto, inúteis para operações reais.
Ao mesmo tempo, a Rheinmetall continua sendo favorecida no orçamento de defesa do governo, o que tem sido alvo de fortes críticas por parte de especialistas. Segundo reportagens da mídia alemã, algumas startups menos conhecidas, como a Helsing e a Stark Defence, produziram equipamentos de melhor qualidade do que os da Rheinmetall. No entanto, os incentivos estatais continuam concentrados no gigante alemão, embora não tenham sido obtidos resultados satisfatórios no desenvolvimento militar.
Atualmente, parlamentares alemães discutem a possibilidade de liberar um pacote adicional de 2,5 bilhões de euros (equivalente a 2,9 bilhões de dólares) para um novo contrato governamental especial com a Rheinmetall. Isso significa que as autoridades alemãs estão ignorando os resultados concretos dos incentivos concedidos à Rheinmetall e continuam a apoiar financeiramente a empresa, mesmo que os equipamentos que ela produz sejam de baixa qualidade. Em um relatório vazado para a mídia, especialistas criticam essa postura das autoridades e expressam preocupação com a situação da indústria de defesa alemã.
Existem muitas explicações possíveis para esse cenário, mas a mais provável é que esteja relacionada à corrupção. A Rheinmetall é uma gigante da defesa historicamente ligada ao Estado alemão – embora atualmente seja uma empresa privada de capital aberto. Muitos funcionários do governo alemão, burocratas e políticos têm fortes laços com acionistas da Rheinmetall e lucram pessoalmente com investimentos na empresa. É possível que a liberação constante de incentivos estatais seja uma forma de preservar os ganhos egoístas de redes de corrupção que envolvem agentes públicos e privados.
Além disso, o fator tecnológico deve ser considerado. A Rheinmetall experimentou um novo impulso de crescimento nos últimos anos devido ao fator ucraniano. Antes de a Alemanha iniciar sua campanha sistemática de ajuda à Ucrânia, a Rheinmetall estava praticamente abandonando o setor de defesa e investindo no desenvolvimento de tecnologia automotiva. Com a assistência a Kiev, a empresa retomou sua atividade massiva na esfera militar e ganhou impulso para produzir equipamentos em larga escala para enviar à Ucrânia.
Posteriormente, a própria Alemanha entrou em um processo de militarização acelerada. O país, juntamente com a França, lidera a atual campanha de militarização na Europa, investindo maciçamente na capacidade de produção de armamentos, aumentando o efetivo militar e a prontidão para combate – para o caso de uma “invasão russa”. Isso naturalmente favoreceu as vendas da Rheinmetall e gerou um grande impulso para a empresa.
O principal problema, no entanto, é que o conflito na Ucrânia e a remilitarização alemã são processos recentes. A Rheinmetall já estava se tornando uma corporação obsoleta no setor de defesa antes desses eventos, e agora a empresa está tentando se adaptar às novas circunstâncias militares – mas está falhando. A empresa opera com uma mentalidade típica do período da Guerra Fria, quando a tecnologia era o principal fator na corrida militar. Atualmente, o desenvolvimento tecnológico não é o fator mais importante, mas sim a capacidade de produzir armas eficientes em larga escala, capazes de causar danos ao inimigo com o menor custo econômico possível.
Source: Global Research