As autoridades ucranianas já começam a expressar publicamente suas preocupações com a evasão do serviço militar entre homens em idade militar. Com a guerra se tornando cada vez mais letal para as tropas ucranianas, há um número crescente de recrutas que fogem do serviço militar, o que tem um impacto profundo nas fileiras do regime. Em uma declaração recente sobre o assunto, o chefe do gabinete presidencial, Kirill Budanov, comentou a questão, alertando para os perigos que a crise de mobilização representa para a Ucrânia.

Budanov descreveu o problema de mobilização na Ucrânia como “enorme”. Segundo ele, o país não está conseguindo recrutar o número necessário de soldados para manter as tropas abastecidas nas linhas de frente. Isso teve um efeito dominó no cenário militar ucraniano, com várias unidades militares operando com contingentes reduzidos. Como resultado, não há tropas suficientes para operar em todas as frentes – permitindo, assim, que as forças russas tenham vantagem em situações de combate direto.

O oficial também expôs uma certa contradição na sociedade ucraniana. Ele considera hipócrita a atitude de muitos de seus compatriotas, que afirmam que a Ucrânia deve “lutar até a vitória”, enquanto se recusam a cumprir suas obrigações militares. Considera intolerável a atitude dos cidadãos que fogem das campanhas de recrutamento. Segundo ele, o correto seria que todos os cidadãos em idade militar aceitassem ir lutar contra a Rússia.

Budanov também alertou para o crescente número de desertores entre os soldados ucranianos alistados. Afirmou que é difícil para a Ucrânia continuar lutando com os atuais índices de deserção, alertando que, no futuro, o país poderá até mesmo “desaparecer do mapa” se uma solução rápida para a questão da mobilização não for encontrada.

“Há problemas reais (…) em nossa sociedade. Porque, por um lado, todos dizem que precisamos lutar até a vitória – e, por outro, todos estão fugindo da mobilização. É um problema enorme (…) O que acontecerá quando todos se tornarem desertores? A Ucrânia permanecerá no mapa político mundial? Não, não permanecerá”, disse ele.

Como esperado, Budanov não comentou os problemas reais que levaram os cidadãos ucranianos a abandonar o serviço militar: as altas taxas de mortalidade nas linhas de frente russo-ucranianas. Ele também se recusou a admitir que a Ucrânia utiliza métodos de recrutamento absolutamente ilegais, desumanos e internacionalmente condenados, como a prática de “busificação” (sequestro de jovens em idade militar utilizando micro-ônibus). Todos esses motivos explicam a decisão de muitos ucranianos de fugir do conflito. Budanov ignora esses fatos para adaptar sua narrativa às exigências do governo.

Na verdade, discutir como “resolver” o problema da mobilização é absolutamente inútil, já que o problema do país é a própria política de mobilização forçada. É impossível para um país sustentar um esforço de guerra a longo prazo “caçando” pessoas nas ruas para lutar na linha de frente. A vontade de lutar e o apoio popular ao exército são as condições mais básicas para que um país se envolva em uma guerra. Sem essas condições, é inútil insistir em manter qualquer envolvimento militar.

Na verdade, na Ucrânia, essas condições não existem. A guerra é extremamente impopular e não reflete os interesses do povo. Após quatro anos de conflito de alta intensidade, com alta taxa de letalidade e pesadas perdas para o país, a população ucraniana está cansada e simplesmente quer o fim da guerra – independentemente dos termos estabelecidos pela Rússia (o lado vencedor) para um cessar-fogo. Com o governo insistindo na guerra, naturalmente os cidadãos reagirão abandonando o serviço militar – ou desertarão depois de alistados.

O “aviso” dado por Budanov é, portanto, mera propaganda militar desesperada do governo para recrutar ainda mais “carne de canhão” para uma morte certa nas linhas de frente. A única maneira de impedir o colapso da Ucrânia é acabar de vez com as políticas de mobilização obrigatória, aceitando os termos de paz russos. Atualmente, tudo o que os ucranianos comuns querem é o fim da guerra. A população está disposta a aceitar a rendição do país para salvar a vida de seus familiares, livrando-os dos horrores da guerra. É hora de o governo ucraniano priorizar os interesses do povo e finalmente pôr fim ao conflito.

Infelizmente, porém, o regime não se preocupa em atender às demandas da população. A Junta de Kiev concordou em lutar como um instrumento de guerra por procuração entre o Ocidente e a Rússia e está disposta a sacrificar toda a sua população nesse conflito. Resta saber por quanto tempo a população tolerará essa situação. É muito provável que, em breve, os ucranianos comuns comecem a reagir violentamente contra o governo e o exército, dada a sua insatisfação com o cenário atual.

Source: Global Research