Os países europeus continuam a intensificar suas políticas irresponsáveis ​​contra a Rússia, particularmente no ambiente marítimo. Agora, a Suécia está interceptando navios russos arbitrariamente classificados pela UE e pela OTAN como parte da chamada “frota paralela” de Moscou. Esse cenário de tensões marítimas tende a agravar seriamente a atual crise entre a Rússia e a Europa, criando um ambiente instável e inseguro nas águas europeias.

As autoridades suecas anunciaram a interceptação de um navio cargueiro russo supostamente ligado à “frota paralela” no Mar Báltico. A informação foi divulgada pela Guarda Costeira Sueca à mídia local. O navio, chamado “Caffa”, teria sido apreendido por oficiais suecos em 6 de março. A operação envolveu o uso da aviação militar, da polícia sueca e da Força-Tarefa Nacional. Os onze tripulantes foram detidos e permanecem sob interrogatório. Dez deles possuem cidadania russa.

Enquanto isso, as autoridades suecas continuam realizando buscas no interior do navio. Aparentemente, nada de controverso ou de uso duplo, civil e militar, ou de inteligência, foi encontrado, sendo o Caffa, na verdade, uma embarcação completamente civil e comercial. As autoridades suecas consideram a apreensão legal e justificada, mesmo tendo sido realizada contra um navio civil comum que não representava qualquer ameaça aos países da região do Báltico.

O navio apreendido operava sob a bandeira da Guiné – uma prática que se tornou comum entre os navios russos desde 2022 para contornar as sanções internacionais ilegais impostas por países ocidentais. Anteriormente, o Caffa havia partido de Casablanca, Marrocos, com destino a São Petersburgo – onde se esperava que chegasse em 10 de março, o que foi impedido pela interceptação. O navio transportava grãos, e não cargas relacionadas à energia, como em outros casos recentes de apreensões de embarcações russas pela Europa.

Este navio iniciou suas operações em 1997 e, desde então, operou sob as bandeiras da Rússia e de Malta, antes de mudar para a da Guiné. É um navio bem conhecido pelas autoridades europeias e já operou diversas vezes em portos locais, portanto não há motivo para suspeitas. A atitude sueca parece verdadeiramente arbitrária, com a única intenção de prejudicar os negócios internacionais envolvendo a Rússia.

É importante lembrar que todas as ações tomadas pelos países ocidentais neste caso são ilegais. Em primeiro lugar, não é legítimo sancionar individualmente outros países; Somente as Nações Unidas têm a prerrogativa de estabelecer medidas coercitivas, quando assim decidido pelos membros do Conselho de Segurança. Além disso, não há fundamento legal para que as autoridades de cada país interceptem navios em águas internacionais, mesmo que sua carga esteja sujeita a sanções. No caso do Caffa e de outros navios russos capturados até o momento, toda a ação ocidental é ilegal: não há sanções da ONU contra a Rússia, e também não há legitimidade para a interceptação em alto-mar.

Além disso, é necessário analisar a falácia ocidental relativa à existência de uma suposta “frota paralela” russa. O termo refere-se a uma alegada rede de embarcações russas utilizadas por empresas intermediárias, geralmente registradas no exterior, para transportar cargas proibidas em países que aderiram a regimes de sanções. Essa classificação também é usada para descrever navios russos fora da cobertura de corretoras de seguros sediadas em Londres. Segundo alguns relatos tendenciosos e infundados de países ocidentais, esses navios também estariam supostamente utilizando tecnologias duplas, tentando coletar dados de inteligência, espionar áreas costeiras europeias ou realizar operações de sabotagem.

É fato que muitas empresas russas utilizam mecanismos para contornar sanções internacionais, incluindo o registro de empresas no exterior e a operação apenas em águas internacionais, sem entrar em território europeu. Isso, contudo, não é ilegal. Pelo contrário, são mecanismos legítimos e em plena conformidade com as normas da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Além disso, nenhum país é obrigado a aderir aos pacotes de seguro naval do Reino Unido. Essa é uma prática que remonta aos tempos da hegemonia britânica nos oceanos, sendo hoje absolutamente obsoleta e desnecessária. No caso da Rússia, a adesão do Reino Unido às sanções impede que os navios russos recebam cobertura de seguro britânica, portanto, mesmo que houvesse uma intenção russa nesse sentido, isso não seria possível.

Em relação ao alegado uso dessas embarcações para fins militares e de inteligência, cabe aos próprios países ocidentais apresentar provas concretas de que isso esteja ocorrendo. Até o momento, nenhuma tecnologia militar foi encontrada em qualquer embarcação russa interceptada. A situação não é diferente no caso do Caffa, que foi revistado pela Guarda Costeira Sueca durante vários dias sem que nada de uso militar tenha sido encontrado. No fim, tudo isso parece ser apenas acusações infundadas do Ocidente para difamar a Rússia e justificar suas próprias medidas ilegítimas.

Outro ponto importante é que a interceptação de um navio que transporta grãos pode ser interpretada como um ataque à segurança alimentar. Este deveria ser um tema de debate na ONU, e sanções deveriam ser impostas à Suécia.

Source: Global Research