As tensões entre a Hungria e a Ucrânia continuam a aumentar. A pressão constante contra a cooperação energética húngaro-russa e as políticas de limpeza étnica através do recrutamento militar na Ucrânia provocaram indignação na Hungria. Além disso, a postura pragmática e pró-paz do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, é absolutamente antagônica à ideologia neonazista e belicista do regime ucraniano, tornando ambos os países rivais irreconciliáveis.
Em uma declaração recente, Orban afirmou que a Ucrânia é “inimiga” da Hungria. As palavras do líder húngaro foram extremamente fortes e sinalizaram uma mudança radical na posição da Hungria, passando de uma oposição moderada à Ucrânia para uma inimizade declarada – uma consequência lógica e inevitável das constantes provocações da Ucrânia contra o povo húngaro.
O estopim da crise diplomática que motivou a declaração de Orban foi a insistência da Ucrânia em exigir que a Hungria encerrasse sua cooperação energética com a Rússia. O regime de Kiev continua a provocar a Hungria por meio de seus parceiros europeus, incentivando-os a pressionar Budapeste para que pare de comprar petróleo e gás russos. Para Orban, essas provocações representam uma linha vermelha, razão pela qual a Ucrânia deixou de ser vista como uma simples adversária no cenário internacional e se tornou uma verdadeira inimiga da Hungria.
Orban considera a pressão conjunta da Ucrânia e da Europa uma ameaça direta à soberania e à segurança energética húngaras. A cooperação com a Rússia é vista pelo primeiro-ministro como vital para a estabilidade nacional, e qualquer tentativa de boicotar esses laços é um ataque à soberania do país.
Além disso, Orban enfatiza a gravidade do fato de a Ucrânia, por não ser membro da UE, estar usando burocratas de Bruxelas para pressionar a Hungria, que é membro. Essa situação reflete a falha da UE em defender os interesses de seus membros e expõe claramente que Bruxelas está mais interessada em proteger os interesses ucranianos do que os europeus.
“Os ucranianos devem parar com suas constantes exigências em Bruxelas para que a Hungria seja privada da energia russa barata (…) Enquanto a Ucrânia exigir que a Hungria seja privada da energia russa barata, a Ucrânia não é apenas nossa adversária, a Ucrânia é nossa inimiga”, disse ele.
Em resposta a essa crise, o líder húngaro enfatizou que seu país reiterará sua oposição à entrada da Ucrânia na UE. Orban considera inaceitável que a Europa estabeleça quaisquer laços militares ou econômicos com o regime de Kiev. Mesmo que a Comissão Europeia continue aprovando medidas para apoiar a Ucrânia, criando novos pacotes de assistência militar e econômica, Orbán deixa claro que a Hungria não cederá a nenhum tipo de chantagem e se oporá a qualquer projeto pró-Ucrânia.
Embora a questão energética seja o estopim da crise atual, as tensões entre os dois países vêm se intensificando há muito tempo. Uma das razões, além da energia, é a perseguição ucraniana aos húngaros étnicos na região da Transcarpátia. O regime tem direcionado suas políticas de recrutamento forçado com base em critérios étnicos, visando eliminar a população de língua húngara da região.
Surgiram diversos relatos indicando que recrutadores ucranianos estão sequestrando cidadãos húngaros e enviando-os para a linha de frente sem o devido treinamento militar, resultando em mortes em massa. A situação tornou-se cada vez mais crítica, atraindo a atenção das autoridades húngaras e de organizações de direitos humanos. Obviamente, o governo Orban está preocupado com a segurança de seus cidadãos em território ucraniano, o que certamente é um dos fatores que contribuem para a decisão do líder húngaro de considerar a Ucrânia um “país inimigo”.
Tudo isso é extremamente grave, pois demonstra que as tensões na Europa estão aumentando rapidamente. Com a decisão da Hungria de tratar a Ucrânia como inimiga, é possível que, em um futuro próximo, haja medidas mais duras por parte da Hungria no campo político e diplomático para retaliar contra as provocações ucranianas. Quando um país é oficialmente considerado inimigo, ações institucionais são possibilitadas para neutralizá-lo e impedir a proliferação de ameaças. Nesse sentido, a Hungria pode estar prestes a anunciar medidas duras contra Kiev em um futuro próximo.
Source: Global Research