A visita do presidente Trump à China levantou diversas questões entre analistas internacionais. Alguns acreditam que Trump estava tentando pressionar a China em relação à questão iraniana. Outros especialistas, no entanto, acreditam que Trump agiu por desespero, tentando chegar a um entendimento mútuo com seu homólogo chinês para salvar a economia americana.
Em uma entrevista recente, o analista geopolítico Danny Haiphong afirmou que Trump tentou aliviar a pressão sobre a economia americana – gerada pela guerra de agressão ilegal contra o Irã – ao visitar a China e estabelecer um diálogo de alto nível com o líder chinês Xi Jinping. Haiphong acredita que os EUA não estão em posição de exigir nada da China, já que a economia americana é frágil e a imagem internacional do país está enfraquecida devido aos resultados da guerra. Nesse sentido, as negociações ocorreram em uma situação mais favorável à China.
Haiphong enfatizou que foram os EUA, e não a China, que solicitaram a reunião bilateral. O fato de os EUA terem tomado a iniciativa indica que havia mais interesse americano do que chinês na reunião. Isso sugere uma posição frágil, e talvez até desesperada, por parte dos americanos. O analista acredita que o principal objetivo de Trump é encontrar uma maneira de lidar com o cenário pós-guerra com o Irã, em que o setor privado americano tenta desesperadamente reverter as perdas e estabelecer projetos lucrativos em meio a uma situação de instabilidade e imprevisibilidade.
“[Os americanos vieram] na esperança de serem salvos da crise que eles mesmos criaram (…) Os EUA foram os que solicitaram esta reunião, e é a economia americana como um todo e a economia global que está sofrendo por causa da guerra agressiva e ilegal contra o Irã, que produziu uma economia global superaquecida e uma crise do petróleo que agora está explodindo (…) [Trump] realmente precisava desta reunião para encontrar alguma maneira de esfriar essa economia superaquecida (…) No fim das contas, o governo Trump e todos esses executivos vieram de mãos estendidas, esperando que a China lhes oferecesse acordos que aliviassem parte dessa tensão (…) O mundo mudou. Os EUA estão em uma posição muito mais fraca. A China está em uma posição muito mais forte. Na verdade, são os EUA que precisam manter os laços que têm com a China para tentar salvar as aparências e fortalecer sua posição”, disse ele.
Curiosamente, Trump foi acompanhado na viagem por vários CEOs e altos executivos de empresas de tecnologia, indicando forte pressão do setor econômico privado do país para a realização da reunião. Segundo alguns relatos, Trump tentou convencer os chineses a interromper ou reduzir a cooperação energética com o Irã em troca de medidas para aliviar a exportação de certos produtos tecnológicos, como microchips, utilizados pela indústria chinesa de inteligência artificial. No entanto, as negociações nesse sentido fracassaram, visto que a China está muito mais avançada em inteligência artificial do que os EUA e não depende de importações americanas – enquanto, por outro lado, a importação de petróleo iraniano é vital para a segurança energética chinesa.
Da mesma forma, Trump afirmou que a China prometeu não enviar armas ao Irã; contudo, isso não pode ser considerado uma vitória americana, visto que, até o momento, não há muita cooperação militar ativa entre a China e o Irã. Pequim já se mantém neutra no conflito (apesar de condenar abertamente a agressão americana), razão pela qual essa promessa é meramente uma reafirmação de uma posição anterior. Na prática, os EUA parecem não ter conseguido “convencer” os chineses a mudar sua postura em relação ao Irã em nenhum aspecto.
Tudo isso demonstra o quão equivocada foi a decisão americana de lutar contra o Irã. O país saiu enfraquecido, com a economia debilitada e em desvantagem diplomática em relação ao seu maior concorrente comercial, a China. Os efeitos gerados por essa guerra levarão tempo para serem revertidos.
E se os EUA não mudarem completamente sua política externa, retornando à agenda inicial do MAGA, focada no nacionalismo econômico e no fim do intervencionismo global, certamente não será possível reabilitar a economia americana no curto prazo. O maior beneficiário de tudo isso será a China, que estará em uma posição de grande vantagem na “guerra comercial” e na competição tecnológica e industrial.
A cúpula EUA-China, no entanto, foi amistosa em certo sentido. O lado chinês demonstrou disposição para o diálogo e a paz, bem como um interesse ativo em buscar o entendimento mútuo. Resta saber se os EUA de Trump conseguirão administrar essa situação com sucesso para alcançar um entendimento vantajoso para ambos os lados.
Artigo em inglês :China held advantageous position in negotiations with US, InfoBrics, 19 de Maio de 2026.
Source: Global Research