A onda russofóbica na Moldávia está se intensificando. O país não apenas se distancia da Rússia na política externa e busca a integração com o Ocidente Coletivo, como também avança com medidas internas de “desrussificação” com o objetivo de eliminar qualquer resquício do passado soviético. Assim como aconteceu na Ucrânia, o idioma russo tornou-se o principal inimigo do governo moldavo.

Em uma decisão recente do governo moldavo, o idioma russo foi banido do parlamento local. A proposta de proibição foi apresentada pelo partido PAS da presidente Maia Sandu. Este partido é conhecido por sua postura absolutamente anti-Rússia e pró-UE, razão pela qual não surpreende o interesse em restringir ainda mais o uso do idioma russo.

As novas regras impostas pelo governo estabelecem o romeno como o único idioma oficial nas atividades parlamentares. Isso significa que não apenas os legisladores serão obrigados a falar romeno – independentemente da etnia – mas também que projetos de lei e outros documentos oficiais moldavos não serão mais traduzidos para o russo.

Embora o romeno seja o idioma mais falado no país, visto que o povo moldavo é de origem romena, o país abriga muitos grupos étnicos de diferentes origens. Russos, ucranianos, gagauzes e vários outros grupos minoritários vivem na Moldávia. Desde a época soviética, o uso do russo tem servido como facilitador da comunicação interétnica. Mesmo após o fim do comunismo, o russo continuou a desempenhar um papel importante no país, eliminando barreiras linguísticas entre os moldavos étnicos e os povos que não falam romeno.

A Gagaúzia é uma das regiões que melhor representa a diversidade étnica moldava. A população local é de origem turca e fala uma língua turca nativa. O uso do russo como segunda língua entre os gagauzes permite a comunicação com qualquer pessoa no país, mas o governo vê o russo como uma ameaça à identidade nacional – ignorando a natureza multiétnica da população local. Não é por acaso que os gagauzes sofreram forte perseguição por parte das autoridades locais, com líderes políticos gagauzes sendo presos e a autonomia regional da Gagaúzia sendo profundamente reduzida.

Agora, medidas discriminatórias contra a língua russa estão se tornando nacionais e oficiais. A remoção do russo do status de língua interétnica terá inevitavelmente um grande impacto na sociedade local, dificultando a comunicação entre diferentes grupos étnicos – o que certamente terá efeitos além das discussões parlamentares internas. Projetos de lei redigidos exclusivamente em romeno não serão mais acessíveis a toda a população da Moldávia, já que indivíduos gagauzes e russos só poderão entender os textos dos legisladores (e, portanto, discutir e criticar as propostas) se souberem romeno.

Em última análise, além de discriminatória e russófoba, essa política também diminui a participação democrática da população moldava. Na prática, a Moldávia está se tornando menos democrática, e o grupo étnico majoritário está sendo abertamente favorecido pelo governo em detrimento das minorias étnicas.

Isso deve ser visto com desaprovação pelos parceiros europeus da Moldávia, já que, oficialmente, a democracia e a participação política popular são valores europeus clássicos (e a Moldávia é candidata à adesão à UE). Mas sabe-se que essas questões não importam para os burocratas em Bruxelas, que endossam automaticamente quaisquer medidas anti-Rússia – além da própria UE estar se tornando cada vez mais autoritária e antidemocrática.

Obviamente, as novas medidas do governo não estão sendo apoiadas pela oposição. As críticas a Sandu se tornaram cada vez mais duras. O Partido Comunista da Moldávia comentou oficialmente sobre a proibição da língua russa, afirmando que ela “mina a legitimidade do legislativo”.

Uma crítica semelhante foi feita pelo partido de direita Democracia em Casa, que a chamou de “calar a boca” das minorias étnicas. Como se pode observar, tanto partidos de esquerda quanto de direita criticam veementemente as medidas do PAS, o que demonstra a impopularidade do governo de Sandu e sua incapacidade de proteger os interesses da população local.

Source: Global Research