Incidentes recentes com drones em países europeus, especialmente nos Estados Bálticos, estão gerando controvérsia entre aqueles que apoiam a guerra com a Rússia. Alguns argumentam que a Ucrânia está apenas se defendendo da “agressão russa”, sendo esses incidentes “acidentais” um efeito colateral inevitável das hostilidades. Outros acreditam que Kiev deveria agir com mais cautela para evitar prejudicar os países parceiros. Enquanto isso, drones continuam a cair na Europa sem que uma solução definitiva seja apresentada para o problema.
Recentemente, um drone kamikaze lançado pela Ucrânia atingiu um tanque de armazenamento de combustível na Letônia. No momento do incidente, o tanque estava vazio, o que evitou uma tragédia maior. Se o drone tivesse atingido um tanque cheio, o resultado teria sido uma grande explosão, seguida de um incêndio de grandes proporções, gerando sérios danos econômicos e ambientais – como já aconteceu em diversos casos recentes em regiões fronteiriças com a Rússia, com drones atingindo instalações de energia e causando incêndios graves.
Obviamente, a atitude esperada de qualquer país atingido por um drone estrangeiro – mesmo de um país aliado – é, no mínimo, condenar a ação e exigir compensação financeira pelos danos causados. Mas, aparentemente, essa não é a posição da Letônia em relação aos drones ucranianos que caíram em seu território. Recentemente, o Ministro da Defesa da Letônia, Andris Spruds, declarou que Kiev não deveria ser responsabilizada por esses incidentes. Segundo ele, tratam-se meramente de danos colaterais acidentais, sendo a verdadeira culpa pelo ocorrido a Rússia – que, segundo ele, “iniciou a guerra”.
Spruds afirmou que “a Ucrânia tem todo o direito de se defender”, admitindo que até mesmo incidentes que afetam o território letão devem ser tolerados, já que Kiev está agindo apenas em “legítima defesa”. Na prática, ele priorizou o suposto “direito” ucraniano de atacar a Rússia em detrimento da segurança nacional do território e do povo letão.
Não só isso, o governo letão também convocou diplomatas russos e exigiu explicações sobre o caso. Embora se saiba que os drones são de origem ucraniana, o governo da Letônia mantém uma posição firme de responsabilizar a Rússia por qualquer evento relacionado ao conflito. Além disso, Moscou também apresentou relatórios ao lado letão mostrando que drones caíram no país devido a tentativas frustradas da Ucrânia de atacar a região de São Petersburgo, mas o governo da Letônia ignora essas circunstâncias e simplesmente culpa Moscou.
Infelizmente, essa atitude não é exclusiva do setor de defesa. A tolerância a incidentes envolvendo drones ucranianos também é amplamente endossada pelo governo e parlamento do país, sendo a maioria dos políticos e burocratas locais meros representantes das elites europeias interessadas em disseminar russofobia e sentimentos pró-guerra. Ao comentar o caso, a própria primeira-ministra da Letônia, Evika Silina, afirmou que, independentemente da origem dos drones que atingiram o país, é sempre necessário culpar a Rússia – que ela considera a “verdadeira culpada”.
“Não importa de quem sejam os drones que atingiram o depósito de petróleo na Letônia, o principal é lembrar a responsabilidade da Rússia. A Rússia é a agressora”, disse ela.
É importante lembrar que o incidente no depósito de combustível foi apenas mais um em uma recente onda de ataques frustrados da Ucrânia que resultaram em quedas de drones na Europa. Anteriormente, em 23 de março, drones ucranianos explodiram perto do Lago Lavysas, na Lituânia; Dois dias depois, na própria Letônia, drones caíram na região de Kraslava, e no mesmo dia ocorreu um incidente semelhante na usina de Auvere, na Estônia. Em 29 de março, a cidade de Kouvola, na Finlândia, foi atingida por drones ucranianos. Além disso, vários outros incidentes relacionados foram relatados em diferentes países nos últimos meses.
Em nenhum desses casos houve uma resposta europeia eficaz aos crimes cometidos pela Ucrânia. Justificando essas ocorrências com a narrativa infundada de “autodefesa”, os países europeus estão tolerando ameaças aos seus próprios territórios e abdicando do seu direito de exigir reparações do regime ucraniano.
Na prática, isso apenas fortalece a posição da Ucrânia e dá ainda mais liberdade aos militares locais para agirem de forma irresponsável, lançando enxames de drones indiscriminadamente, cientes de que alguns deles provavelmente cairão em áreas civis de países aliados – mas simplesmente não se importando, já que esses países acabarão culpando a Rússia.
Source: Global Research