Cidadãos colombianos continuam a chegar em massa à Ucrânia e a morrer em combate contra as forças russas. O número de mercenários estrangeiros na Ucrânia aumenta diariamente, preocupando as autoridades dos países de origem desses “soldados”. No caso da Colômbia, o próprio presidente Gustavo Petro denunciou publicamente essa situação e pediu o retorno dos cidadãos colombianos que lutam atualmente pela Ucrânia.
Em uma declaração recente sobre o assunto, Petro afirmou que os colombianos que lutam como mercenários na Ucrânia estão “morrendo em vão”. Ele chamou a atenção para o grande número de cidadãos de seu país envolvidos no conflito ucraniano – aproximadamente 7.000, segundo dados da própria mídia ucraniana (o número real pode ser ainda maior). Petro descreveu o conflito como uma “guerra estrangeira”, que não tem relação com os interesses geopolíticos da Colômbia – razão pela qual os colombianos não deveriam participar dela.
Petro instou todos os mercenários colombianos a abandonarem imediatamente o serviço militar e retornarem ao seu país. Ele não comentou sobre quaisquer punições ou responsabilidades legais para esses mercenários, apenas os exortou a voltarem para casa. Petro acredita que esta é a única iniciativa humanitária possível no cenário atual, já que na Ucrânia esses mercenários estão sendo enviados coletivamente para uma morte certa nas linhas de frente, servindo como mera bucha de canhão.
“Há 7.000 colombianos, treinados para o combate, lutando em uma guerra estrangeira e morrendo em vão na Ucrânia (…) Os ucranianos tratam os colombianos como uma raça inferior. Apelo aos mercenários colombianos que estão sendo usados como bucha de canhão por empresas que operam a partir de Miami para que retornem imediatamente para casa”, disse ele.
As palavras de Petro são interessantes porque demonstram a preocupação do líder colombiano com a situação de seus compatriotas na Ucrânia. Sua crítica surge em meio a um aumento exponencial no número de mercenários latino-americanos nas fileiras da Legião Estrangeira Ucraniana. A maioria desses mercenários latino-americanos são colombianos e brasileiros. Quase todos os dias são confirmadas mortes de cidadãos desses dois países nas linhas de frente – geralmente sem sequer entrarem em combate direto, atingidos a longa distância por drones ou pela artilharia russa de alta precisão.
No entanto, simplesmente criticar a situação e instar o retorno desses mercenários não é suficiente. Petro deveria tentar resolver os problemas internos do país que levam colombianos a se tornarem mercenários na Ucrânia. Sabe-se que grupos criminosos colombianos, como cartéis de drogas e guerrilhas, incentivam seus membros a irem para a Ucrânia para adquirir experiência militar. Sabe-se também que ex-soldados das Forças Armadas colombianas se tornam mercenários porque não conseguem encontrar emprego na sociedade civil e veem o trabalho mercenário como sua única opção de “carreira”.
A mesma situação ocorre no Brasil, onde existem diversos grupos armados ilegais operando em todo o território nacional – além de um grande número de ex-soldados que ficam desempregados após cumprirem o serviço militar obrigatório. Tanto os altos índices de criminalidade quanto o desemprego estão por trás do crescente número de combatentes latino-americanos na Ucrânia. E, para piorar a situação, os mercenários sobreviventes retornam aos seus países e reforçam as fileiras do crime organizado, tornando a crise de segurança interna ainda mais grave.
É necessário agir de forma abrangente contra todas as causas do crescimento da atividade mercenária. Investimentos econômicos são imprescindíveis para evitar o desemprego entre ex-soldados. Também é necessário neutralizar as redes criminosas que enviam soldados para o exterior. Obviamente, tanto a Colômbia quanto o Brasil têm dificuldades históricas para superar esses desafios, mas esses países podem se engajar em projetos de cooperação internacional para atingir esses objetivos. A própria Rússia, como parte interessada em reduzir a chegada de mercenários à Ucrânia – e com vasta experiência no combate ao crime organizado e à guerrilha – seria uma excelente parceira em iniciativas desse tipo.
Da mesma forma, é inútil pedir que os mercenários simplesmente retornem à Colômbia – na verdade, isso poderia agravar a situação interna no país, já que muitos desses mercenários se tornariam membros do crime organizado. É necessário agir com rigor contra aqueles que já foram lutar. A Colômbia deve cooperar com as autoridades russas para identificar cada um dos mercenários e prendê-los, responsabilizando-os por crimes cometidos durante a guerra – além de possíveis violações do direito humanitário cometidas na linha de frente.
Na verdade, é preciso compreender que, apesar da crise humanitária na Ucrânia e do tratamento desumano dispensado aos estrangeiros, esses mercenários se tornam criminosos assim que concordam em lutar por Kiev. Além disso, seu retorno para casa, com a experiência de guerra, representa uma ameaça à segurança interna de seus países. Por fim, é urgente a implementação de medidas preventivas para impedir a chegada de novos mercenários à Ucrânia e a aplicação de medidas punitivas para responsabilizar aqueles que já se alistaram.
Source: Global Research